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Thursday, November 21, 2013

Sobre a Beleza

Acabei de assistir um video interessante de um experimento que fizeram com mulheres sobre a maneira como nós nos vemos em relação à maneira como as outras pessoas nos vêem.

No experimento, um artista forense do FBI fazia dois desenhos da mesma mulher, o primeiro de acordo com a descrição que a própria pessoa dava de si e o segundo com a descrição de uma terceira pessoa. Durante todo o processo o desenhista ficou atras de uma cortina e não viu o rosto de ninguém, nem da mulher sendo desenhada como o da pessoa as descrevendo.
O resultado foi surpreendente. As mulheres ficaram bem menos atraentes no desenho onde elas se descreveram que no desenho onde uma outra pessoa as descreveu.

Ontem li um estudo sobre o mesmo assunto, onde um pesquisador perguntava à mulheres como elas se sentiam sobre sua aparência. Ele concluiu que quando sua assistente, uma mulher jovem, usava maquiagem durante as sessões, as mulheres entrevistadas se sentiam menos atraentes do que quando ela não usava maquiagem. E quando havia um homem atraente na sala durante as perguntas, elas se sentiam ainda pior que antes.

Eu não quero me aprofundar muito sobre beleza e o que ela significa se não este post vai virar um livreto. O que eu não quero deixar de dizer é isso: Vamos todas nós, mesmo que só por um momento, sermos gratas pelas coisas que nos fazem bonitas, e parar de pensar nas coisas que gostaríamos de mudar em nossa aparência. Eu tenho a impressão que se nós passarmos a nos entender como bonitas, o mundo vai nos ver como maravilhosas.

Assista o vídeo sobre o experimento do desenhista (em inglês). Siga esse link para ver em tela cheia: http://www.youtube.com/watch?v=litXW91UauE&noredirect=1




Tuesday, October 29, 2013

Um Ano Depois de Sandy

Há um ano, Nova York foi atingida pelo mais mortal e destruidor furacão da temporada de 2012, o Sandy. Apesar de o furacão ter diminuido de intensidade, passando a ser chamado de "superstorm" antes de atingir a cidade, ele ainda assim deixou um rastro de destruição que até hoje Nova York não foi capaz de reverter por completo.

Como eu moro em uma das áreas afetadas pela falta de energia eletrica, fiquei dias sem contato algum com família e amigos. Quando a energia voltou, recebemos uma enxurrada de e-mails, mensagens de texto e de Facebook, de amigos e familiares preocupados. Para economizar tempo, escrevi um e-mail em massa para todos explicando que estava tudo bem e contando sobre nossa experiência.

Para relembrar os dias que passamos pós Sandy, está aqui a cópia deste e-mail:

Downtown Manhattan no Escuro
VIDA NO APAGÃO

Querido amigos,

Estou de volta, e agora posso dizer que sou uma sobrevivente da vida sem energia elétrica.
Como legitima representante da classe bicho-de-cidade, minha primeira e, por enquanto, única experiência desse tipo foi quando fui acampar em 2009, mas enquanto no acampamento nossos companheiros noturnos eram corujas e acredito que alguma espécie de bode (acordei com coco-bolinha na porta da barraca) quais seriam os companheiros noturnos em New York City?

O PRINCÍPIO
Tudo começou as 8:45 da noite de Segunda (29), Sandy já fazia a festa na cidade e nós acompanhávamos tudo pela TV, até que de repente não havia mais nada para acompanhar. Imagino que todo mundo já tenha experienciado falta de energia na vida, depois da escuridão seguem alguns segundos de dúvida, seguidos por um grito longínquo, seguido por um encontrão com algum objeto não identificado enquanto se procura por uma lanterna, vela ou fonte alternativa de luz (ex: celular).
Na primeira noite, sentamos na cozinha tentando adivinhar por quanto tempo ficaríamos sem luz. Eu achei que pela manhã já teriam resolvido o problema, mas o Curtis achava que "No way, quando a luz acaba em NY a coisa é séria, a última vez que isso aconteceu foi em 2003". Eu achei que ele estava exagerando...
Até aqui nós ainda tínhamos sinal de telefone, 3G, água quente... Enfim, todas essas coisas básicas do dia-a-dia. Porém, na manhã seguinte constatamos que não só a luz não tinha voltado, como agora não tínhamos mais sinal de telefone, 3G, água quente e todas as coisas básicas do dia-a-dia. E agora?
Vamos sair na rua pra ver os estragos e conseguir informações.

OS ESTRAGOS
Em nossa área, uma das ruas mais afetadas pela tempestade foi a avenida C, sabíamos disso por que antes de a luz acabar, vimos uma foto em que a água cobria os carros pela metade. Isso pode ou não ser impressionante para você dependendo de onde morar, imagino que alguns de meus amigos em São Paulo podem inclusive estar flutuando pra casa dentro de seus carros nesse exato momento. Enfim, se a Av. C é a imagem do caos é pra lá mesmo que nós vamos.

Avenida C
Foram cenas tristes, árvores caídas, pessoas tirando água de dentro do porão com baldes, outras só olhando desoladas para a piscina de lama sem saber o que fazer, provavelmente calculando o preço dos estragos que com certeza não sairia barato já que muitos restaurantes e outros negócios por aqui usam o porão como estoque.

Porão Alagado na Ave C
Mas alguns bares não deixaram a peteca cair e serviam vinho à luz de velas com preços promocionais. Uma taça de vinho cairia bem, mas e dinheiro pra pagar? Escravos de nossos cartões de débito e crédito, fomos mais uma vez traídos pelo sistema. Resolvemos guardar nossos ultimos 10 dólares para algo mais essencial.
Se ninguém tinha idéia de quando a luz ia voltar, conseguir dinheiro era vital, mas já estava ficando tarde e frio, por hoje voltamos para casa.

No dia seguinte, sem metrô e com taxistas que estavam cobrando 75 dólares por uma corrida que normalmente sairia $10, caminhamos até a Union Square com a esperança de achar um banco aberto ou um lugar pra carregar o celular.
O que encontramos foram os amados food-trucks, caminhões de comida que carregam as baterias durante a noite em garagens em áreas não afetadas como o Queens, e passam o dia na cidade vendendo de tudo o que você imaginar, e que nesse caso estavam salvando nossas vidas. Compramos um queijo quente e entramos na fila pra carregar o celular em tomadas que foram disponibilizadas ao lado de fora do caminhão. Essa foi a primeira vez que consegui mandar uma mensagem pra minha mãe dizendo que estava tudo bem.
Conversamos com pessoas em situação pior que a nossa, gente até sem água em casa. Alguém disse que havia luz nas ruas 20 e poucos, e lá fomos nós andando, encontramos a fronteira dos sem-luz/com-luz na rua 26. Todos os negócios da fronteira estavam lotados, starbucks, farmácias, bancos (a maioria das lojas ficaram fechadas) cheios de gente procurando tomada pra carregar celular e conexão com internet. Decidimos andar mais para o norte em busca do que acreditávamos seria uma lugar mais tranquilo, e com um pouco de sorte, um supermercado aberto. Andamos até a rua 50 (mais de 60 quadras de distancia de minha casa), onde achamos um supermercado. Depois de comprar um pouco de comida, tirar dinheiro e carregar o celular em um banco com mais umas 20 pessoas, voltamos para casa.
O que aprendemos hoje? Que uma aglomeração de pessoas na calçada é um ponto onde celular pega, que seguindo barulho de geradores iremos encontrar uma fila de pessoas esperando pra carregar o celular ou um mercadinho tentando sobreviver, e que a vida Uptown continua como se nada tivesse acontecido.

Estação de Metrô Alagada
Aglomeração numa esquina com sinal de telefone
Fronteira dos Com-Luz / Sem-Luz


AS ALTERNATIVAS
Enquanto tudo isso acontecia, eu e o Curt analisávamos nossas alternativas. Parecia que a coisa mais óbvia seria escapar, como vimos muita gente fazer (inclusive nosso roommate), pegar as malas e sair da cidade. O problema era que a maioria dos nossos amigos moram em áreas afetadas, e dos que não moram, ninguém se ofereceu para ajudar (pois só existe uma quantidade finita de bondade no mundo) e com outros nós não tínhamos nem intimidade, nem a cara-de-pau suficiente, de pedir asilo não só pra nós dois, como para nossa amiga canina, Sasha.
Sendo única alternativa a não-alternativa, ficamos em casa.

O FRIO
Um dos motivos de nossa querida Sandy ter sido tão brutal é que ela colidiu com uma frente fria vinda do Canadá. Depois da tempestade, a temperatura caiu drasticamente.
Tomar banho de baldinho é facil, quero ver tomar banho de baldinho em um frio de 4 graus numa casa sem aquecedor. Que Deus não permita, mas se isso um dia acontecer com você, está aqui a recita para o sucesso:
1- Acenda todas as velas da casa dentro do banheiro. Para nosso pequeno banheiro nova-iorquinho 13 velas foram suficientes, num banheirão brasileiro você vai precisar de umas 30.
2- Ferva água na maior panela que tiver (pode ser que você precise de duas). Enquanto a água ferve, as velas já vão esquentando o banheiro.
3- Jogue um pouco de água fervendo na banheira ou no chão do chuveiro pra você não pisar no gelado. A fumacinha da água quente vai imitar o vapor do chuveiro.
4- Divirta-se.

Os banhos foram difíceis, as noites piores ainda. Como não sou nem louca de dormir com vela acesa no quarto (eu sei que você tinha dúvidas se eu faria ou não uma coisa dessas mãe) colocamos todos os nossos cobertores na cama, que não são muitos, pois o aquecedor dá conta do recado e a gente só precisa de uma mantinha. A coitada da Sasha ficava tremendo de frio na caminha dela e acabou dormindo com a gente. Melhor para nós, que usamos o cobertor dela para cobrir nossos pés e ainda ganhamos um travesseiro de pele quentinho, com direito a ronco e tudo.

A NOITE NA CIDADE
Vem chegando o inverno, e as 6 da tarde já fica escuro. Numa situação como essa, pessoas de bom senso ficariam em casa jogando baralho, certo? Errado. Nós temos muito mais que bom senso, temos também responsabilidades paternas. Nossa querida Sasha foi muito bem treinada para sempre fazer suas necessidades na rua, o que é uma coisa linda, porém a bendita foi tão bem treinada que ela não faz dentro de casa de jeito nenhum, nem em cima de tapetinho pra cachorro. Foi ficando tarde e a coita lá na porta olhando pra gente com cara de dor-de-barriga, até que não agüentamos mais e decidimos sair.
De lanternas em punho abrimos a porta da frente, um pensamento me ocorreu e eu perguntei pro Curt "O que você acha de a gente levar uma faca?" Ao que ele respondeu apenas apontando com a mão para o bolso do casaco com um sorrisinho de eu-sei-muito-bem-das-minhas-responsabilidades-de-proteção-dessa-família. Ótimo.
A rua era uma escuridão total, deixamos nossas lanternas apagadas pra não virarmos presa fácil. Sasha foi direto ao assunto sem nem cheirar o poste antes, ela tinha quase terminado quando Curtis e eu ouvimos passos, duas sombras estavam caminhando em nossa direção. Vi que o Curt colocou a mão dentro do bolso do casaco e fiquei paralisada, devo admitir que meu primeiro pensamento foi "Zumbis!". Agora eles estavam bem perto, eram dois homens, um deles olhou pra gente com um sorrisão e disse "Hey guys" e continuaram andando. Um pouco mais encorajados depois desse encontro, decidimos dar a volta no quarteirão, e vimos outras pessoas, gente com família, criança, carrinho de bebê, cachorro; gente como a gente só que no escuro de lanterna.
Depois disso, explorar a vizinhança durante a noite virou nosso hobby favorito. As pessoas estavam muito mais gentis e falantes, como acredito que fiquem quando não estão sob o feitiço constante de seus smart phones. Conhecemos nossos vizinhos, a Sasha foi convidada pra entrar em bares conosco, e fizemos amizade com o dono de um mercadinho que tinha gerador e disse que podíamos carregar nosso celular ali sempre que precisarmos.
Mercadinho com gerador onde carregamos nossos telefones
Eu andando na rua em meio a escuridão total
TEMPO LIVRE
E agora, o que fazer com tanto tempo livre? A loja do Curt foi afetada pelo apagão, e ele ficou de folga todos esses dias. Decidimos ser produtivos. Pintamos a casa, redecoramos, arrumamos os armários, fizemos tudo o que tínhamos que fazer mas nunca tínhamos tempo.
Redescobrimos nossas cartas de baralho, e passamos um tempão sentados conversando, sempre comendo e cozinhando comidas simples como sopas e sanduíches.
Comecei a me desapegar da energia elétrica, e a me apegar à falta dela. Quando a luz voltasse, eu ficaria feliz, mas uma parte de mim também ficaria triste.


AJUDA
Na sexta-feira de manha um caminhão gigante parou aqui na frente de casa, iam distribuir comida e água a 1 da tarde, eram 8 da manhã e a fila já ia crescendo, todo mundo na calçada debaixo de um frio gelado. Foi difícil ver o quanto as pessoas menos favorecidas foram afetadas pelo desastre, enquanto as madames de uptown faziam cara feia por que tinha gente sentada no chão da agencia bancaria esperando a bateria do celular carregar, e ainda passavam pela gente murmurando "Que absurdo!". Pouco a pouco desvendamos os recursos existentes em nosso próprio bairro e decidimos boicotar uptown e a m3rd@ da energia elétrica.

As 8 da manhã a fila já dava a volta no quarteirão

As 4:55 da tarde de sexta feira (2) estávamos em casa fervendo água para mais um banho quando ouvimos a TV ligar, e o bairro inteiro gritando e aplaudindo de alegria, como se o mais belo dos espetáculos tivesse terminado.

Muito obrigada gente, pelos e-mails, mensagens de fb e de celular, pela preocupação e pelo carinho. Estamos muito bem. Vemnimin próximo blackout!

Beijosss

Sunday, May 5, 2013

Sobre o Medo

O medo é uma coisa interessante, uma força maior que sua vontade, que te paralisa, proíbe e te aprisiona. Apesar de ser um assunto importante, é pouco discutido, afinal quem é que gosta de admitir que é medroso?

Porém nós todos temos nossos medos, uns mais que outros. Eu mesma tenho uma listinha boa, mas cheguei num ponto que resolvi enfrentar alguns deles, de uma forma ou de outra, depois de começarem a interferir na minha vida como, por exemplo, meu medo de alturas, que não é o medo de olhar pela janela de um prédio alto ou admirar a paisagem de um mirante, mas o medo é de “alturas baixas”, como subir em cima de mesa, escada, muro, árvore. Outro dia eu estava fazendo um editorial e a fotógrafa se posicionou ao pé de uma escadaria e queria que eu viesse descendo para a foto, simples assim. Eu estava tão nervosa que minhas mãos começam a suar e chegou uma hora que eu tive que confessar pra ela que eu estava morrendo de medo de cair. Acho que o fato de eu estar usando um salto de 20cm também não ajudou muito.

Enfim, não foi um dia fácil e quando eu cheguei em casa exausta pelo estresse, contei esse episódio pro Curtis e nós chegamos à conclusão de que meu problema é que eu não confio no meu corpo e nos meus reflexos. Eu penso que se eu for cair com certeza eu não vou conseguir me segurar, ou cair “certo”, e vou acabar me esborrachando de cara no chão. 

Pra tentar contornar esse problema, ele vai me passar uns exercícios footwork pra aumentar minha agilidade e percepção e quem sabe assim eu vou me sentir mais confiante. 

Eu gostaria muito que esse fosse meu único medo, mas infelizmente não é bem assim. Outro medo que algumas vezes também me faz passar vexame é o medo de água. Apesar de eu sempre ter pulado em piscina, mar e rio, eu nunca soube nadar bem, e a água sempre foi pra mim mais um obstáculo que qualquer outra coisa.

Acho que combinando o medo de água com o de altura eu criei medo de passar em cima de ponte, o que acabei de aprender se chama Gephyrophobia, e acho que o fato de eu morar em uma ilha também não ajuda. Por mais que existam várias pontes e túneis conectando Manhattam à terra firme, eu fico pensando “E se a vaca for pro brejo, e um dia desses eu não tiver outra opção a não ser a de atravessar o rio a nado pra sobreviver, e ainda por cima ter que levar minha cachorra nas costas?” O Curtis riu quando eu disse isso pra ele, e realmente essa é uma ideia absurda, mas o medo só é medo por ser irracional. Solução pro meu problema: estou aprendendo a nadar. Apesar de eu já ter quase domidado o crawl e bruços, o que me falta ainda é resistência pra nadar longas distâncias, mas tenho treinado regularmente e o Curtis também não me deixa relaxar. Minha esperança é que um dia a água se torne pra mim um ambiente tão confortável quanto a areia da praia.